Um bom colchão para previnir a insonia

Noites maldormidas tendem a desencadear sentimentos de preocupação e tensão, que criam uma espécie de círculo vicioso ao longo do tempo

Um bom colchão para previnir a insoniaDormir poucas horas por noite afeta um complexo sistema cerebral e pode levar ao desenvolvimento de ansiedade, um transtorno que afeta mais ainda a qualidade do sono.

Estudos apontam que 80% dos brasileiros têm alguma queixa relacionada ao sono. Além disso, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

A Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos recomenda que adultos devem dormir entre sete e nove horas por noite. Acima de 65 anos, entre sete e oito horas.

A neurologista Andrea Bacelar, presidente da Associação Brasileira do Sono, afirma que insônia e ansiedade andam lado a lado. Segundo a médica, quando temos uma boa noite de sono, ao despertar, o sistema de recompensas do cérebro é ativado. “Você se sente satisfeito fisicamente e mentalmente para viver aquele dia”, explica.

Por outro lado, uma noite maldormida tem um efeito prejudicial. “No momento em que começo a ter um débito de sono cumulativo, sem fazer a limpeza necessária do cérebro, começo a ter estímulos ansiogênicos, que geram ansiedade, tensão, preocupação.”

Uma pesquisa de 2015, da Universidade de Tel Aviv, mostrou que as amígdalas cerebelosas, área cerebral que, entre outras funções, é o centro identificador do perigo, é ativada em excesso quando existe falta de sono.

“Sem dormir, o mero reconhecimento do que é um evento emocional e do que é um evento neutro é interrompido. Podemos experimentar provocações emocionais semelhantes em todos os eventos que chegam, mesmo neutros, e perder nossa capacidade de classificar informações mais ou menos importantes. Isso pode levar ao processamento cognitivo tendencioso e a um julgamento ruim, bem como à ansiedade”, observaram os pesquisadores.

Com a alteração na amígdala, os hormônios que servem para os momentos de possíveis ameaças são liberados sem necessidade, fazendo com que a pessoa sinta efeitos físicos típicos da ansiedade, como coração acelerado, sensação de falta de ar, suor nas mãos, boca seca, desconforto abdominal, calafrios e náuseas.

O resultado disso é que indivíduos com dificuldade para dormir costumam ter mais irritabilidade, dificuldade de concentração, tornam-se esquecidos, causam acidentes, entre outras complicações.

O problema é que para tentar driblar o cansaço pela falta de sono, muitas pessoas recorrem a estimulantes, ambientes barulhentos, cafeína, o que vai prejudicar ainda mais o sono na noite seguinte.

“À noite, em fadiga, exaustas, algumas pessoas conseguem dormir, mas outras não. Esse estímulo nos neurotransmissores de alerta e vigília não as deixa dormir”, observa a médica. É aí que os distúrbios de sono começam a exigir atenção. “A pessoa entra em um círculo vicioso, inadequado, prejudicial e promotor de doença”, ressalta.

Fonte: Fernando Mellis -R7

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